quarta-feira, 26 de março de 2025

Limbo

É o lugar onde se é e não é 

É estar e não estar 

E eu estou nesse lugar 


A rejeição invoca a paixão 

O não ter 

Invoca o querer 

Já o saber 

alimenta o sofrer 


Eu evitei

Eu tentei 

Eu falhei. 

Ah como eu andei

Apenas me cansei 

Só eu sei…


Lugar escuro 

Tão inseguro 

Lugar quieto 

Mas, tão inquieto 


Quero retornar 

Para o meu lugar 

Estou tão longe do meu lar 


Não tem o que fazer 

A não ser sofrer 

Querer…

Esmurecer 


Difícil aceitar 

estar nesse obscuro lugar 

Refúgio, perjúrio 

Me cubro 


Difícil encarar 

A realidade que aqui está 

Eu tentei evitar 

Não teve jeito 

Ela veio se revelar 

Me levando para esse lugar 









terça-feira, 25 de março de 2025

Você nunca irá

 Ah querido, 

Estou perdendo a esperança dessa nossa dança 

Você nunca enxergará a mim

Já decretou nosso fim

Até no meu gracejo, 

Eu vejo medo. 


Pra você não sou quem hoje sou

Sou um campo de dor 

A visão tá contaminada 

Gravemente estraçalhada 


E o meu sonho de casar? 

De ter contigo um lar? 

Do meu legado deixar? 


Ah, querido 

Estou perdendo a esperança nessa nossa dança 

Você nunca irá…

Subir comigo ao altar. 


Queria

 Eu queria ter aquilo que se tem 

Que convém 

Eu merecia 

Muito agradeceria 


Porém, como se diz...

É na ânsia se de ter

 que se encontra o prazer 

E junto dele o sofrer 


Eu venero,

Contemplo 

Oro e choro,

Quase que imploro

 Me apavoro 


O que para o mundo é simples 

Pra mim é um fiasco 

Me vejo em pedaços 

Com o sangue pisado 


Fruto do meu querer 

Razão do meu viver 

E do meu apodrecer 


Doce ilusão 

Que encanta o coração 

Procura- me em canção 

Faz de mim um jargão 

Disparo meu ferrão 

Sem nenhuma razão 

Sem fazer mais questão 






Moinho

Estou sendo triturada,

Dilacerada 

Por quê eu te encontrei? 

Mas, em moinho sempre morei 


O mesmo que gera energia 

É aquele que deforma…

E dá forma 


Ô moinho rei

Que dilacera sem lei 

Romper-me-ei 

Nunca me recuperarei 


Gira, Gira

E no sol brilha 

Me fascina.

Gira, Gira 

E me mói 

Então me distrói 


Tão gracioso e viçoso 

Envolvente e iminente 

Pedaço de mim ardente

Ainda se faz de inocente

Em meio a tanto inconveniente 







sexta-feira, 21 de março de 2025

Felino abandonado

Tentei mesmo que não reconheças 

Isso teria feito a diferença 

Atirar a pedra é fácil 

Difícil mesmo é suportar o insuportável 

Negar o inegável 

Negociar o inegociável 


Fundo do poço eu te conheço 

Mas, não mais te mereço 

Sim, eu reconheço 


Você não validou 

Aquela minha dor 

Através de mim passou 

Me atravessou…

Atropelou

Deixou o vazio da dor 

Vem e tira esse terror.

Eu já sou vapor 

Que de estado mudou

Alcalino tão instável 

Felino abandonado 









O pior que eu fiz

 O pior que fiz 

Foi não cuidar bem de mim 

Ferida que corrói 

Traço que destrói 


Me marcou por toda a vida 

Deixou uma intriga 

Um nó preso na garganta 

Que desencanta 


O pior que eu fiz

Foi fazer pouco de mim

Agora fazer outro cenário 

Dá um baita trabalho 


Me marcou por toda a vida 

Impede o frio na barriga 

Sou solo nessa dança 

Desejando uma mudança 

Enfim, peso tudo na balança 


É dolorido, mas eu sei 

Devo fazer de mim um rei 

Não significa que seja fácil 

E tampouco agradável 

Juntar os meus pedaços 

Sair do esculacho 

Me dar um novo abraço 


Você me impede 

Me compele e impele 

Por mim você pede, 

Só não sabe aceitar

O passo que deves dar 

Eu vou me mudar 

Não mais me atrapalhar 

Sem me bagunçar 

Só quero voltar a dançar

Sair desse lugar 

Continuar a avançar 

Mesmo que você... não vá estar por lá