quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Medo

 O medo 

Se fez meu endereço 

Mas, eu permiti 

Que ele estive ali 

Ocupou espaço,

Não foi nada saudável. 

Como a vida é terrena

Se mostra grande e pequena 


Eu vivia apavorada 

Por aquele sentimento maltratada 

Censura sem fim, 

Tomava conta de mim 


A condenação, 

Que outrora causou admiração 

Se tornou subordinação 


Sempre inadequada 

A mal fadada 

Merecia não ser amada 


Mas, ela não foi vítima

Foi ela quem abriu a ferida 

Permitiu o corte.

E sozinha se encarregou de ser forte


O pavor ainda está 

Vivo na lembrança de não estar 

Ele se transformou 

Mas, será mesmo que mudou? 


De você eu tive medo 

Hoje ele mudou de endereço 

Vive em mim 

Consequência do tão esperado fim 


Aceito e assumo 

Me livrar dele presumo.

Porém, não será fácil 

Tamanho o estardalhaço 


A fuga por enquanto me serve

Até que derreta a neve… 






Pantera sem cor

Talvez o meu vacilo,

O meu declínio,

A minha fragilidade 

Seja o que me confira coragem 

Penso então, 

Que a resiliência que eu encontro 

Está na vulnerabilidade 

Que condeno


Pantera sem cor 

Sem dor 

Sem pudor

Sem amor


Livre para ser o que é.

Fera indomável 

E por isso maleável 


Animal ferido, 

Mas, como é bonito 

Como é solitário 

Mas, sente-se bem no orvalho 


Aconchego da liberdade 

Não me permite sentir saudade 

Diminui a vontade.

Me dá paz e sossego 

Um refresco

Me confere enfim, 

Gracejo. 

Como eu desejo 

Tê-lo. 






domingo, 12 de outubro de 2025

Amor próprio

Menos do que mereço 

Hoje eu não aceito 

Mudei o meu conceito 


Hoje sei cuidar de mim 

Não foi sempre assim. 

Tive que errar 

Para aprender a me bastar 


Me encontro no meu posto 

Dentro do meu conforto 


O que em mim nasceu 

De tudo valeu 

A vida não me corrompeu 

Só agradeço pelo o que me deu 


O que foi teve de ir 

Eu assistir partir 

E cheguei a aplaudir 

Que orgulhosa estou de mim. 




Traços

Você não era mais apaixonado

Isso ficou bem claro 

Verdade tão transparente 

Que chega a ser indescente 


O que de nós ficou 

Aos poucos você matou.

Tentou me convencer 

Que a culpada era eu

Só que no meio desse breu 

A luz resplandeu 


Você tão dono da razão 

Me fez acreditar 

Que eu não merecia aquele lugar 

Que melhor eu não podia esperar 


Eu até acreditei 

Que em tudo eu falhei 

Até me convenci 

Que era o pior de mim 


Mas, você não esperava 

Que a minha visão foi ampliada 

Que a minha consciência fosse acordada, 

Com essa você não contava 


Por muito tempo eu dormi…

Sono profundo que teve fim. 





Dentro de um fim

Você passou como chuva no verão 

Como tempestade após furacão 

Perdeu sua função 


Foi me perdendo em você 

Que me encontrei 

Enfim, me achei 


O aprendizado me convenceu 

Que o amor entre nós morreu.

O destino cumpriu seu papel 

E me arrancou das mãos o véu 

Eu deixei partir

Para não perder o que encontrei em mim 


Certo eu escolhi 

Mesmo me doendo o fim. 

A certeza me conforta 

Não me deixa sola 


Para você eu fui errada 

Imprudente desalmada. 

Só eu sei o que custou 

O tamanho da minha dor 


A desilusão queima o coração 

Já o sonho traz alívio, 

Bálsamo querido, 

Esse não é finito 


Obrigada eu preciso te dizer 

Por constituir o meu ser.

Sou parte de você 

Como és de mim 

Mesmo que dentro de um fim 







Eu perdoo você

Eu perdoo você 

Até mesmo porque 

O que você tem 

Eu vou ter 

Mas, o que eu tenho 

Você nunca irá ter 

Você me fez sofrer 

Mas, a vida ingrata foi com você 


Vai demorar, vai doer 

Mas, eu vou me desenvolver 

Eu terei a chance de ser

Mas, o que você perdeu 

Jamais irá florescer 


Isso eu não entendia 

E por isso tanto me doía 

Eu te amava, 

Mas, te odiava

Te venerava 

Mas, me derramava 


Pobres garotas destroçadas,

Por motivos diferentes sofriam,

Queriam ter o que não possuíam.



domingo, 17 de agosto de 2025

Doce suspiro

Não sei como vai acontecer 

Fé preciso ter 

Tento me acalmar 

Na tempestade que está a me espreitar 


O que eu quero, 

Eu esmero

Eu espero 


Parece tão impossível conseguir 

O tempo vai tirando de mim 

Eu fiz tudo o que podia

Só de mim não dependia 

Minha mão sua fria

Solitária e vazia 


Como vai ser?

Como o tempo não vai me interromper? 

Vem amanhecer 

Preencher o meu ser 

Dar-me o que falta 

Já caminhei uma longa estrada 

Estou ficando demasiada cansada 


O meu sonho tão ardente 

Foge de mim lentamente 

Eu corro atrás 

E parece que lá ele se vai 

Vem e me trás paz 


Já possui o que parecia impossível 

Esse é o meu último incentivo 

Se a esperança é a última que morre 

É um Doce suspiro sempre tão nobre