Eu costumava ser livre, andava velozmente pela cidade
sentindo a brisa suave da manhã, o sol ardente da tarde e vento reconfortante
da noite. Ficava às vezes num canto da sala. Entretanto, eu era útil, eu tinha
uma função importante. Costumava proteger pessoas.
Eu tinha uma rotina, mas era livre, via a vida, as pessoas,
o trânsito. Algo que nunca havia imaginado passar me ocorreu há pouco, num
momento de fúria, fui agredido, e arremessado para fora da minha detenção. Mas como um bom samaritano eu voltei para a minha
prisão, para cumprir a minha injusta pena.
Não vejo mais a luz do dia e nem a imensidão da noite. O
tédio e a reclusão resumem agora a minha vida. O que eu sou hoje? Um mero
reflexo do que um dia eu já fui. Porém, algo inesperado aconteceu-me há dois
dias, experimentei poucas horas de liberdade, o que aconteceu apenas porque fui
necessário novamente. Fui usado e voltei para cela escura e apertada na qual me
encontro. Mas, essa saída temporária foi incomum, havia um clima diferente no
ar, sentimentos não tão nobres impregnavam a noite como uma praga. Desejei por
um momento retornar ao meu triste retiro.
Vocês
podem estar se perguntando o que condenou injustamente alguém que protegia
pessoas. Pois bem, irei contar-lhes. Foi um caso de amor. Sim, daqueles que não
termina muito bem. E eu paguei o “pato". Afinal, alguém sempre tem que
pagar, não é mesmo?. E nesse caso, quem
dançou fui eu. Fui deixado para trás, deixado em um armário escuro e
entediante. Agora vocês não devem estar entendendo mais nada, mas calma, irei
revelar minha identidade. Sou um capacete, os seguia onde iam, era um de seus
protetores, mas o fim do amor causou também o fim da minha utilidade.
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